BuRaco 040

BuRaco-040-BR-estrada-Brasil
BR-040 – Foto de Rodrigo Clemente -17/3/08/Reprodução da internet – otempoonline – 5/1/08

Depois de trabalhar 72 horas em oito dias, durante o natal, finalmente recebi cinco dias de folga para o reveillon. Resolvi pegar a “BuRaco-040” e seguir para duas belas cidades histórias de Minas Gerais: São João Del Rei e Tiradentes. Além dos belos lugares e construções, e da excelente companhia, a viagem foi muito interessante para observar, mais uma vez, o triste estado das estradas brasileiras e o ridículo comportamento de alguns motoristas durante o caminho. Vou ilustrar o que aconteceu tomando como base quatro carros. Mas antes gostaria de deixar claro que ninguém é santo; nenhum motorista respeita todas das leis. Mas acho válido e importante ilustrar os episódios.

Corolla Fielder
Durante os mais de 400 km de estrada (ida e volta), fui ultrapassado por três carros conduzidos por completos imbecis, que preferem colocar a vida da família em risco para chegar cinco minutos antes ao destino. Um deles estava num Toyota Corolla Fielder prata, com bagagem até o teto do porta-malas, além de cinco passageiros. Numa subida, com “pista” (entre aspas pela qualidade da via) dupla e um “acostamento”, eu estava ultrapassando (pela esquerda) um longo caminhão que subia (pela direita) com velocidade máxima acima do permitido para caminhões (80 km/h). Eis que o “piloto” do Corolla surge e vai para a contra-mão para passar o meu carro e o caminhão ao mesmo tempo. Mas quem disse que ele tinha fôlego para passar com tanto peso a bordo? O “motorista” então joga o carro para cima do meu para não bater em outro caminhão que vinha no sentido oposto. Como eu não podia atropelar o caminhão, caso eu desviasse para a direita, pisei no freio com vontade para não bater.

Corsa Sedan X Accord
Minutos depois, um Corsa Sedan 1.6 branco (atualmente conhecido como Classic) fez uma “bela” ultrapassagem sobre o meu carro: esperou o momento “certo” e “se mandou”. O problema foi que o momento “certo” foi numa ponte em descida, seguida por uma curva à direita – dois pontos mais do que proibidos de ultrapassar.

O mais “interessante” veio pouco depois. Um Honda Accord V6 estava passando todos os carros sem tomar conhecimento. Não importava se a faixa era contínua, pista dupla, pista simples, subida, descida; ele ia quente e “dane-se” quem ele estava ultrapassando. Logo depois de me passar, tivemos que parar na estrada por causa um um veículo mais longo e largo que estava no caminho, com aqueles carros batedores. A ordem de carros estava a seguinte: caminhão longo, Classic, três carros, o Accord e eu, além dos que estavam atrás de mim. Quando o trânsito foi liberado, o Classic foi para cima do caminhão com tudo e, como já era esperado, o Accord passou os três carros seguintes de uma vez, quase colidindo com uma moto, já que ele foi, mais uma vez, para a contra-mão (mesmo com pista dupla). Os três carros entre o Honda e o GM abriram caminho e eu passei por eles.

Então pude assistir, “de carteirinha”, pela “área VIP”, a um dos duelos mais patéticos da minha vida: Corsa Sedan 1.6 X Accord V6. O “piloto” do Chevrolet não deixava o “asno” do volante do Honda ultrapassá-lo. As circunstância impediram que o Accord fosse para a contra-mão. Então, o Honda fez uma manobra digna de um “prêmio” e preferiu ultrapassar pelo acostamento, já que o Classic ficava, literalmente, no meio da pista. O problema (outro) é que o acostamento da BR- 040 está cheio de buracos. Por causa disso (espero que seja), o Accord deu uma fechada “de cinema” no sedã da GM. Graças a Deus nenhum acidente aconteceu.

“Prêmios” extras
Além do troféu de “asnos ao volante” dado ao Corsa Sedan, Accord e ao Corolla Fielder, vale ainda dar duas menções honrosas. A primeira vai para o motorista de um Prisma, que ultrapassou sete carros ao mesmo tempo durante uma forte chuva. Nunca tinha vivenciado um dilúvio desses na minha vida. Os sete carros (o meu era o segundo) estavam a cerca de 30 km/h por causa da baixíssima visibilidade e da pista excessivamente molhada (prato cheio para a aquaplanagem). Com o farol desligado, era impossível ver o carro da frente. Andar a 50 km/h era loucura para as condições da via, e o Prisma devia estar a uns 90 km/h quando eles nos passou.

Antes do segundo “prêmio”, vale comentar o comportamento dos motoristas durante a chuva. Cerca de 85% dos carros estavam com os faróis e com o pista-alerta ligados. Meu amigo Emilio Camanzi diria que ligar o farol baixo e os faróis de neblina (dianteiro e traseiro) nesta situação é o mais adequado; mas, ligar o pista alerta já não é muito adequado. Explico: inúmeros carros estavam parados no acostamento, com o pista alerta ligado. Outros estavam em movimento com o pista alerta ligado. Com a visibilidade muito baixa, como saber qual carro estava parado ou em movimento? É uma situação perigosa durante um momento de maior tensão. Por isso, ligue o pisca alerta apenas se você estiver parado.

Voltando às menções honrosas, o prêmio desta vez vai para mais de um “motorista”: ele vai para alguns “pilotos” de picapes cabine dupla, como Frontier, S10, Ranger e, principalmente, Hilux. Só porque o veículo é grande, não significa que ele tem um comportamento privilegiado na estrada. Respeitar as leis e limites das estradas é sempre importante.

Votos
Espero que todos tenham tido um feliz natal e um ótimo reveillon e que 2009 seja um ano ainda melhor para todos.

Atualização com as medalhas de honra (06/01)
Aproveitando os comentários, vou dar uma medalha de “honra ao mérito” ao Clio Sedan, do comentário do Joilson; ao Fiesta, citado pelo Luiz Gustavo; aos palhaços que cortam pela direita, citados pelo Fabricio Araújo; à falta de policiais nas estradas, comentado pelo Ronaldo Lima; ao asno que fez a BMW ferver, relatado pelo Renato Dantas; aos animais ao volante, comentado pelo Luis Eduardo; ao kamikaze, citado pelo Babetto; ao Uno suicida, comentado pelo Gustavo Meneghetti; e aos dois carros (Uno e Palio) que faziam “artes”, citados pelo Thomas Collins.

Complementando (06/01)
Veja o que diz a lei sobre ultrapassagens:

Art. 203. Ultrapassar pela contramão outro veículo:
I – nas curvas, aclives e declives, sem visibilidade suficiente;
II – nas faixas de pedestre;
III – nas pontes, viadutos ou túneis;
IV – parado em fila junto a sinais luminosos, porteiras, cancelas, cruzamentos ou qualquer outro impedimento à livre circulação;
V – onde houver marcação viária longitudinal de divisão de fluxos opostos do tipo linha dupla contínua ou simples contínua amarela:

Infração – gravíssima;
Penalidade – multa;
Consequência – batida feia que pode matar o louco e muitos inocentes.

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