Como dói o bolso do brasileiro

Depois de alguns dias sem internet e ainda bastante gripado, mas agora sem febre alta, estou de volta! E escrevo aqui sobre a indignação do Bruno Medina e de muitos outros brasileiros a respeito do preço cobrado pelos carros no nosso país!

Veja o caso do Honda City, que acabou de ser lançado no México, também com motor 1.5 16V. Por aqui, a versão LX, a de entrada, que vem equipada com ar-condicionado, direção elétrica, trava, vidros e retrovisores elétricos, CD-Player (MP3/WMA) e entrada auxiliar (P2/USB), rodas de aro 15” (com pneus 175/65) e airbag duplo frontal, tem preço sugerido para as regiões sul, sudeste e centro-oeste de R$ 56.815 e R$ 58.075 nas regiões norte e nordeste (valores de outubro divulgados pela Honda).

Já no México, o mesmo City custa aproximadamente R$ 25.800, já equipado com os itens citados acima, além de freios ABS com EBD! A diferença é gritante!! E olha que o City é fabricado no Brasil! Mas vamos um pouco além nessa discussão!

Nós já sabemos que os carros feitos no Brasil são muito caros. E também já é de conhecimento público que a maioria dos carros vindos de outros paises, não importando a marca, costumam chegar em terras brasileiras bem mais caros do que nos países de origem. Mas o caso dos mexicanos é o mais mercante e representativo em relação ao nosso bolso, já que existe um acordo comercial entre Brasil e México, permitindo aos carros vindos do país da América Central chegarem aqui com isenção total dos 35% de imposto de importação (desde 2002). Por que então o City é tão caro aqui e, para nós, tão barato lá (digo para nós porque não sei se ele é caro ou barato para os mexicanos)? Acho que a resposta pode ser vista no ranking de vendas no Brasil. Se o carro tem preço salgado e vende bem, por que ter um valor mais baixo?

Acho que vale a pena ampliar a pergunta para:

Como os carros mexicanos chegam ao Brasil tão caros?

Vamos aos exemplos. Veja os dados que o Bruno me enviou, em relação à Volkswagen. Vou até deixar o texto todo original dele:

Converti para Real toda a linha da matriz cucaracha:

– Fonte http://mx.volkswagen.com
– Linha 2010
– Somente Preços das versões de entrada e mais completas (pica das galáxias);
Tx Câmbio Out 8 2009: 0.1312 – http://br.finance.yahoo.com/currency

Pensando bem, não sou tão pobre quanto pensava, só nasci no país errado mesmo..

(R$)

. Gol (G5 BR): 16.166,20 à 22.431,32
. Gol Sedan (Voyage BR): 16.884,64 à 22.812,15
. CrossFox: 23.942,44 à 23.942,44
. Jetta (Novo Bora BR): 22.775,84 à 34.227,02
. SportVan: 23.828,07 à 27.896,32
. Routan: 50.622,19 à 60.390,42

. Beetle: 27.372,11 à 34.617,35
. Beetle Cabrio: 43.858,08 à 48.159,31
. Bora (Jetta 2.5 MK5 U.S.): 29.635,56 à 34.431,19
. GLI (Jetta MK5 GLI U.S.): 44.935,78 à 51.203,79
. GTI (GTI MK5 U.S.): 39.181,10 à 43.028,05

. Eos: 62,776.15
. Passat: 47.016,58 à 70.105,50
. Passat CC: 56.970,51 à 77.353,82
. Tiguan: 42.182,98 à 56.803,12
. Touareg: 93.567,10 à 114.912,05

Eu ainda acrescento outro modelo da Chevrolet, também vindo do México (fonte aqui), usando a mesma taxa de câmbio dos veículos acima:

. Captiva Sport Ecotec 2010: varia de R$ 37.548,12 a 42.786,94
. Captiva Sport V6 2010: varia de R$ 41.398,84 a R$ 46.212,57

Mas então, como os carros mexicanos chegam ao Brasil tão caros?

Existem vários fatores: margens de lucro (principalmente das montadoras), investimentos em marketing, despesas com tributos internos (impostos como ICMS, IPI, PIS e Cofins), logística e transporte e adaptação às normas técnicas brasileiras. Traduzindo: marcas e governo são os principais culpados dos altos preços cobrados – e metem a mão para fazer cada vez mais dinheiro.

O ideal seria que nós não comprássemos os carros, forçando os valores a abaixarem, como aconteceu no final do ano passado, quando a crise econômica bateu na porta, forçando as marcas a fazerem promoções e forçando o governo a reduzir um dos impostos cobrados (no caso, o IPI). Vocês puderam ver o que aconteceu em relação aos preços de vários veículos no Brasil. Mesmo assim, vou usar um exemplo real que aconteceu comigo em dezembro de 2008, quando me ofereceram um Vectra GT 2008/2009 0 Km, com pintura metálica, som de fábrica e airbag duplo, à vista, por R$ 44.900, de pronta entrega. Depois de pensar por 24h, recusei, primeiro porque não queria trocar de carro na época (e pagar a diferença); e segundo porque eu sabia que o Vectra GT ia mudar em breve (acabou sendo reestilizado três meses depois, em março).

Então, basta o governo ou as montadoras moverem uma palha para os preços dos carros caírem no Brasil. Foi isso acontecer, com a redução do IPI, que o brasileiro passou a comprar carros quase igual a compra de pão quente. Ao mesmo tempo que isso é muito bom, também é muito ruim, pois temos cada vez mais veículos nas ruas, que não comportam tantos automóveis (só uma das questões), e nas estradas, aumentando consideravelzmente a chance de acidentes, por exemplo. Mas isso é uma discussão para outro post.

Comentários (15)

  1. Carro e mulher não tem como ficar sem!

    E Parizzi, pelo ponto de vista do final do seu post, imagine os carros a este preço? Não iríamos sair do lugar. Transito absurdo. Mesmo com os preços exorbitantes, ainda há um ponto positivo.

  2. Se os carros fossem pelo menos um pouquinho inferior aos vendidos na Europa e EUA, pagaríamos um preço quase justo pois teriam qualidade aos que são produzidos hoje. Quanto a comprar carros “baratos” e piorar o trânsito, este problema poderia ser amenizado com a transferência do centro das grandes cidade(BH está construindo seu centro adminsitrativo fora da cidade), as rapartições públicas pois é grande o número de servidores proprietários de carros,
    as rodoviárias, dividir a abertura do comércio para as 8:00, as 9:00 e as 10:00(pois são poucos os que tem carro),agora, para tudo isso acontecer tem que haver uma boa estrutura de transportes coletivos. EU ACHO.

  3. Sou fã incondicional dos Hondas e Toyotas, mas seu preço poderiam ser menos salgados, vendem bem sim porque são confiáveis, quanto a qualquer um comprar um carro este não é o problema, o problema é depois de adquirido, temos a manutenção, a gasosa, o estacionamento, o IPVA, taxa de licenciamento, o seguro obrigatório, o seguro do carro, a parcela do financiamento, multas, reboque do carro, a diária no pátio, o flanelinha, o limpador de vidro no sinal, os vendedores de balas, os xingamentos ao fazer uma barbeiragem e ou fechadas bruscas, pode haver a perda do emprego e ficar sem o bem, a desvalorização acima da média etecéteras e tal,enfim não é para qualquer mortal possuir um carro.

  4. Realmente os veículos são muito mais caros que em outros países, mas como parece isso nao vai mudar e sempre vai continuar assim… agora a desculpa de se tivesse carros mais baratos e o trânsito ia ficar ruim nao cola mesmo…

  5. Carro é apenas um dos bens de consumo onde somos usurpados pelo governo. Fazer o quê? Afinal, alguém tem que pagar a conta dos gastos públicos que só veem aumentando. E ainda vem por aí a CSS.

  6. Já imaginou se eles tiram metade da carga tributária dos carros, e metade da carga tributária dos combustíveis? Seria um pandemônio! Mais se pararem de vender carro em 1500 prestações talvez equilibre. Mais aqui na “Pátria que me pariu” é assim: Carro caro, combustíveis caros, transporte público bizarro…e por aí vai…não vou citar os politicos pra não ficar repetitivo!

  7. Acho que esse papo de que se os carros fossem baratos o trânsito seria ruim é que não cola. Todos deveriam ter oportunidade de comprar um automovél, visto que hoje é uma necessidade. Agora se o trânsito vai ficar ruim, o governo é que deve se precupar com isso, fazer campanha para tira latas velhas das ruas, como nos EUA. Se o trânsito piorar ainda mais, quem sabe ai o governo começa a fazer algo. Copia SP, investe em metrô, em ônibus de qualidade. Em SP por exemplo, os pontos de onibus existe um placa eletronica que informa quantos minutos o ônibus passará no ponto. Fato é que, quem realmente trabalha, ainda que ganhando pouco, deve ter um automovel, no minimo para uso familiar.

  8. Fato 1: O governo mete a mão no bolso do brasileiro!
    Fato 2: As fabricantes metem a mão no bolso do brasileiro!
    Fato 3: Ambas estão concominadas e JAMAIS vão mudar a não ser por pressão do mercado.

    Pra quem continua achando que os preços que a Honda(um dos exemplos) pratica no Brasil são válidos, basta responder: Em todo mundo a Honda é conhecida por oferecer carros baratos, exceto em qual país???
    a) Brasil
    b) Brasil
    c) Brasil
    d) Brasil
    3) Todas acima

    Vejo que vou manter meu GTI por um longo tempo…

  9. Concordo com o Bruno. Se todos fizesse assim, manter os carros que ja temos e evitar a compra destes carros, o mercado ia cair, o preço do carro tambem, possivelmente ate o governo acabaria com esse ridiculo IPI. Vamos aquecer o mercado de usados!!

  10. As montadoras querem o dela e o Governo, burro e mal administrado, cobra impostos altíssimos oque dificulda a venda dos produtos os tornando desporporcionais ao poder aquisitivo do cidadão. Acho que qualquer idiota saberia que ganharia muito mais cobrando menos (oque aconteceu com a redução do IPI). Mas a incapacidade administrativa no Brasil e o desinteresse são desastrosos. Dá no que dá. Seja rico para comprar um bom carro ou seja pioneiro em uma revolução tributária.

  11. Quanto a redução de impostos para automóveis, é algo mais complicado do que parece. Se por um lado o governo pode até arrecadar mais diminuindo o valor cobrado e aumentando as vendas, por outro o mercado de carros usados praticamente acaba. Com o passar dos anos isso ainda pode mudar. Imagina o consumidor que compra um carro hoje por 50mil e vende 2 anos depois por 20mil. Com certeza na próxima vez não comprará um automóvel deste valor.

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