Sou interessante, mas não estou na moda. Estrelando: Peugeot 307 Sedan

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A marca francesa sempre teve como uma de suas principais características o visual dos seus carros, elogiados pela beleza e esportividade. Mas, desde quando chegou ao mercado nacional, em 2006, o Peugeot 307 Sedan nunca vendeu bem. Mesmo com ótimo custo/benefício, o design é justamente o seu ponto mais criticado.

Todas as versões do sedã da linha 307 saem de fábrica com uma boa lista de equipamentos: airbag duplo, faróis com regulagem de altura do facho, ar-condicionado, banco do motorista com regulagem de altura, coluna de direção regulável em altura e profundidade, computador de bordo, porta-luvas refrigerado, vidros, travas e retrovisores elétricos e freio a disco nas quatro rodas com sistema ABS.

São duas opções de motorização e quatro versões de acabamento: Presence 1.6 16V (R$ 49.900), Presence Pack 1.6 16V (R$ 52.800), Presence Pack 2.0 16V automático (R$ 58.900) e Feline 2.0 16V automático (R$ 64.900).

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O motor 1.6 16V desenvolve 110 cv de potência e 14,2 mkgf de torque com gasolina e 113 cv e 15,5 mkgf com etanol, o que garante desempenho apenas satisfatório para o sedã de 1.363 kg de peso. Com ar-condicionado ligado, cinco pessoas à bordo e totalmente carregado, o motorista deve ficar atento na hora de fazer uma ultrapassagem na estrada. Na cidade, o propulsor dá conta do recado sem problemas.

Já o 307 Sedan 2.0 16V tem 143 cv e 20 mkgf com gasolina e 151 cv e 22 mkgf com etanol. Mesmo pesando 1.463 kg, seu desempenho é muito bom, principalmente na estrada, quando o motor pode trabalhar sempre em rotações mais altas. No perímetro urbano, chama a atenção o câmbio automático sequencial Tiptronic. As suavidades das trocas permitem uma condução tranquila. Mas, ao ser provocado, câmbio e motor trabalham juntos para propiciar respostas rápidas.

Por dentro, os ocupantes encontram acabamento interessante e bom espaço. Na hora de viajar ou de fazer compras, um dos principais destaques do carro aparece: os generosos 623 litros de capacidade do porta-malas (segundo a Peugeot).

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Por que não vende?

E esse destaque do 307 Sedan também é o seu principal problema. Se por dentro o porta-malas é excelente, por fora ele espanta os compradores. A falta de harmonia entre a dianteira e a traseira é o maior questionamento em relação ao visual do sedã. Some a isso a altíssima qualidade dos concorrentes do segmento, como Honda Civic e Toyota Corolla, e o “inferno astral” do 307 Sedan fica completo.

A Peugeot até tentou amenizar o problema, alterando a traseira do veículo em 2008, quando a marca também lançou a versão 2.0 flex do modelo. Foram duas novidades interessantes e bem-vindas, mas que nunca deram o resultado esperado.

De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em 2009, o 307 Sedan terminou o ano na 12ª colocação do segmento com apenas 3.325 unidades emplacadas, graças ao mês de março, quando foram vendidos 1.011 veículos. Só para efeito de comparação, o Chevrolet Astra Sedan foi o 11° sedã médio mais vendido do Brasil no ano passado, com 3.839. O líder da categoria foi o Toyota Corolla, que emplacou 54.599 unidades em 2009.

Em 2010, o 307 Sedan foi responsável por 477 emplacamentos na soma de janeiro e fevereiro, subindo uma posição, ficando em 11° e deixando outro “fora de moda” em 12°, o Renault Mégane.

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A verdade é que o Peugeot 307 Sedan tem ótimas qualidades e a relação custo/benefício muito atraente, principalmente nas versões mais simples – que não têm o excelente desempenho do motor 2.0. Mas, mesmo sendo uma opção interessante para quem procura um seda médio, o 307 Sedan está com os dias contados no Brasil, já que o 308 Sedan deve ser a grande estrela da marca no Salão do Automóvel de São Paulo em outubro/novembro de 2010.

Então, mesmo sem estar na moda, o 307 Sedan é um modelo atrativo, que pode ser ainda mais interessante com um bom desconto da concessionária (é só falar que o novo 308 está chegando). Mas, se o interessado considerar o visual detestável mesmo, vale esperar pelo 308 Sedan.

Texto que escrevi originalmente para o Jalopnik Brasil.

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