México aceita discutir cota de importação

Para manter acordo automotivo, governo mexicano pode limitar o volume de carros a serem enviados ao Brasil

Nissan/Divulgação

Sob pressão do governo brasileiro – que ameaça romper o acordo automotivo com aquele país, devido ao déficit de quase US$ 2 bilhões na balança comercial de automóveis e peças -, o México decidiu aceitar discutir a aplicação de cotas de importação para o Brasil, o que significa limitar o volume de carros enviados para cá. Após quase duas semanas de impasse, a resposta foi dada, na última terça-feira, em carta enviada aos ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel.

O Brasil quer estabelecer um regime de cotas parecido com o que mantém com a Argentina. A quantidade de produtos isenta do Imposto de Importação – no caso de automóveis, 35% – depende das exportações. Ou seja, para cada dólar importado, um determinado volume deve ser exportado.

Assinada pela chanceler do México, Patrícia Espinoza, e o ministro da Economia, Bruno Ferrari, a carta não contém números, mas a disposição política de se chegar a um entendimento e, com isso, evitar que o intercâmbio de carros e autopeças com tarifas de importação reduzidas deixe de vigorar 12 anos depois de firmado. No documento, os ministros reconhecem as dificuldades enfrentadas pelo Brasil, principalmente devido à forte valorização do real frente ao dólar, e se dizem dispostos a conversar.

Na semana passada, o governo brasileiro apresentou uma proposta de revisão do acordo sobre comércio de automóveis. A adoção de cotas de importação, em quantidade a ser negociada nos próximos dias, tem por objetivo, segundo as autoridades brasileiras, equilibrar a balança bilateral, que deixou de ser superavitária do lado brasileiro em 2008.

Também aceitam incluir no acordo caminhões e ônibus, que tinham ficado de fora do tratado anterior. O que ficou sem entendimento foi o índice de nacionalização requerido pelo Brasil para continuar isentando de imposto os carros vindos do México.

De acordo com uma fonte do governo brasileiro, os negociadores mexicanos concordam com a inclusão de veículos pesados no acordo, como ônibus e caminhões, como propôs o Brasil. No entanto, não deram resposta para uma solicitação considerada fundamental pelas autoridades brasileiras: a elevação do índice de nacionalização, parcela do automóvel formada, exclusivamente por peças e insumos nacionais.

Índice de nacionalização mexicano pode ser de 45%
Atualmente, enquanto o índice no Brasil é de 65%, no México a taxa é de apenas 30%. Nos bastidores, o que se fala é que o governo brasileiro propôs o aumento gradual do percentual mexicano, chegando a 45%.

As relações entre os dois países começaram a ficar tensas no mês passado, quando o governo brasileiro ameaçou acabar com o acordo. Essa atitude levou o presidente do México, Felipe Calderón, a telefonar para a presidente Dilma Rousseff, que sugeriu o diálogo. Dias depois, chegaram ao país, para uma reunião no Itamaraty, a chanceler e o ministro da Economia mexicano.

Texto: O Globo

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