A vida não está nada fácil para os concessionários da Fiat no Brasil

Fiat-logo

No último final de semana, visitei três concessionárias da Fiat em Belo Horizonte (MG) demonstrando interesse na compra de carros da marca. Pelas conversas que tive com os vendedores, não está nada fácil ser concessionário da marca no momento no Brasil. Entenda.

Nos últimos 12 meses, a Fiat mudou a sua filosofia, deixando de lado os “preços agressivos para vender o máximo possível”, válido para uma linha de produtos boa mas, em sua maioria, ultrapassada pelos concorrentes, o que melhorava a relação custo/benefício dos modelos (estratégia comprovadamente correta, pois a marca era a líder de mercado por aqui há mais de uma década), passando a adotar uma política de “lucrar o máximo possível por unidade vendida”, como outras montadoras também fazem (Honda, Toyota e Hyundai, por exemplo), mas que passou a vigorar exatamente para a mesma linha boa e superada de produtos.

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Bonito e bom potencial: esse é o Fiat Mobi (Like On) 2017

Se o preço antes ajudava, agora não vale mais a pena pagar caro por um Bravo, Punto, Siena EL, Idea, Freemont ou Linea, sendo que o mercado oferece produtos mais novos e melhores pelos mesmo (alto) preço pedido pela marca. Aqui um parênteses: outros carros também estão caríssimos no Brasil, com o Honda Civic, Toyota Corolla, Volkswagen Golf, Ford Focus, entre outros. Voltando, a Fiat sabe disso tudo. Como solução, ao invés de abaixar os valores, a companhia resolveu retirar cinco desses seis veículos de linha (restam apenas estoquesaté já me despedi do Bravo numa manhã de muita diversão), restando apenas o Punto atualmente.

Enquanto isso, a marca italiana lançou o Mobi, carro que não inovou (embora tenha me agradado), custando acima do esperado – ainda mais agora, depois do aumento. Depois disso, foi a vez de atualizar o Uno, que recebeu os novíssimos e eficientes motores Firefly, mas que foi impactado pela política de “lucrar o máximo possível por unidade vendida”, ou seja, chegou poderia custar menos.

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Fiat Toro Volcano

Nesse meio tempo, tivemos a chegada da bela picape Toro (a Fiat acertou em cheio em design), o maior lançamento da Fiat desde a família Palio. Se essa novidade realmente agradou a todos, a polícia que comentei antes a pegou em cheio pois, desde março de 2016, o modelo já ficou mais caro quatro vezes (sim, quatro elevações de preço em apenas sete meses). Ainda assim, tem agradado nas vendas – até agora.

E não podemos nos esquecer dos esquecidos (Palio) Weekend e Grand Siena, ambos já linha 2017 (e superados), da versátil e fenômeno Strada e do simpático e caro (e sem definição de futuro) 500 – um dos carros que mais gosto no Brasil. Além, é claro, do lendário e marcante Palio, que, no momento, vive num limbo.

Foto do Renegade na série especial de 75 anos da Jeep

Para os vendedores, faz falta ter um “Renegade da Fiat”

Mas o que a concessionária da Fiat tem a ver com isso? Muito simples: como vender uma linha de carros que está, em sua maioria, ultrapassada, cara, e que, agora, ficou bem mais enxuta com a saída de quatro opções?

Um dos vendedores simplesmente não encontrou argumentos para me convencer a comprar um Mobi, tendo em vista que o carro não inovou em nada. O máximo que ele me “ofereceu” foi a versão de entrada, Easy, por promocionais R$ 29.990 (preço que deveria ser o sugerido oficialmente), mas com um argumento até válido: “aproveite, porque os preços já subiram“.

fiat-chrysler-FCA-logo

Em outra concessionária, a sinceridade do vendedor me deixou até desconcertado: “A Fiat quis saber só da Jeep e deixou todo mundo para lá. Cadê o Renegade da Fiat? Não consigo vender uma Weekend Adventure e só vejo Renegade na rua”. Realmente ele não está errado, afinal, coube à Jeep ser a marca felizarda, entre as que fazem parte da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), a receber o veículo da única categoria que é atraente hoje no mercado, a se SUVs compactos.

Agora entendo porque tanta gente pedia um SUV baseado na picape Toro (a resposta foi o Compass, mais um veículo da Jeep): a Fiat não tem um “carro chefe”, moderno, de vanguarda, ou um de volume, que leve o consumidor até a concessionária. “A picape Toro até vende bem, mas vendia mais antes”, confessa esse segundo vendedor, provavelmente em referência aos preços mais atraentes de “antigamente” (apenas seis meses atrás).

Fiat Viaggio hatch 2015 dianteira

“Tipo” seria um grande hatch médio para a marca no Brasil

Bem, 2016 será o ano de consolidação da nova polícia da Fiat e, como consequência, da perda definitiva da liderança do mercado brasileiro de automóveis e comerciais leves (soma dos dois).

Para a marca italiana fica a expectativa da resolução de uma série de questões: lançar um SUV compacto; resolver o problema do que fazer com o Palio e com o 500; tornar o Mobi um veículo atraente e barato; achar a posição de mercado do Uno (só abaixar o preço) e ter um hatch médio (se for o da foto logo acima, é um sério candidato à minha garagem) e um sedã médio de verdade, além de atualizar o Grand Siena e a Strada.

É um trabalho árduo, mas que a Fiat conseguirá superar em algum momento, pois, qualidade para isso, ela tem de sobra. Resta saber quando e a que preço (literalmente e figurativamente)…

Comentários (10)

  1. Como bem destacou no seu título, a vida não está fácil para os concessionários Fiat, pois, para a FCA, vai tudo de vento em popa! Com o sucesso e expansão da Jeep, pelo visto o grupo acabou transferindo o seu “ganha pão” para os modelos mais refinados, consequentemente muito mais caros da Jeep.

    Já no caso dos modelos da própria Fiat, pelo que dá pra perceber numa simples visita as concessionárias, assim como vc fez, nenhum vendedor consegue vender o Mobi da forma como certamente aconteceria há algum tempo com as vendas de carros populares. Mas a Toro veio para surpreendê-los. Portanto, vende mais Toro do que Mobi, na grande maioria das vezes.

    Quanto ao quesito altos preços, esta não é uma realidade apenas da Fiat. Todas as marcas estão abusando, e não é de hoje, no valor de tabela de seus veículo. Veja os últimos lançamentos do mercado (Civic 10, Vitara etc). Ou seja, parece que pra ser considerado carro de qualidade (pouca qualidade) hj no Brasil, este deve romper a casa dos 100 mil. Absurdo!

    • Acho que a vida não está fácil para quase nenhuma concessionária, pois as vendas caíram muito. Obviamente que as mais afetadas foram as marcas que se apoiavam nos carros mais baratos – alvo do público que mais sofre com a crise.

      Há tempos falo do tiro no pé da maioria das montadoras – e fui muito criticado por isso. Hoje vemos onde estão os preços e as vendas.

      Muito boa a sua observação sobre a relação da venda do Mobi X Toro.

  2. Sua capacidade de analise foi demais. Pegou tudo que lemos na imprensa a um tempão e amarrou tudo. Só verdades. Estou no meu sétimo Palio esperando saber o que a fiat vai fazer, pois quero um outro.

    • Obrigado!

      Sete Palios??? O carro realmente é muito bom, como a maioria dos compactos da Fiat. Agora o que você acha que a marca deveria fazer com o Palio daqui para frente?

  3. Parizzi,a linha adventure da Palio weekend é imbatível em qualidade,pena que ficou ultrapassada e extremamente cara,o que polariza seus admiradores para a picape Toro e o Jeep Renegade.Se houvesse uma atualização da Week e uma diminuição no seu preço,com certeza trocaria a minha 2005 em uma novíssima.Mas duvido que isto aconteça.

  4. trabalho na fiat e só li verdade aqui. prefiro não falar o meu nome mas aqui todo mundo sabe disso e tem muito css q reclama. mas vai ficar assim por um bom tempo. parabéns pela coragem e cuidado

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