Mesmo com o mercado em baixa, por que o preço dos carros novos está subindo na pandemia?

Nova Fiat Strada Volcano 2021

Nova Fiat Strada Volcano 2021: preço, definitivamente, não é o seu forte

Nesses tempos de quarentena, uma coisa começou a chamar a minha atenção: mesmo com o mercado em baixa, por que o preço dos carros novos está subindo na pandemia?

Exemplos de preços

Recentemente, tivemos aumentos mais expressivos de praticamente todas as marcas. O que dizer então dos recém lançados Fiat Strada e Volkswagen Nivus, que chegaram com valores que assustam?

  • Fiat Strada Endurance Cabine Plus 1.4 Fire – R$ 63.590
  • Fiat Strada Endurance Cabine Dupla 1.4 Fire – R$ 74.990
  • Fiat Strada Freedom Cabine Plus 1.3 Firefly – R$ 69.490
  • Fiat Strada Freedom Cabine Dupla 1.3 Firefly – R$ 77.990
  • Fiat Strada Volcano Cabine Dupla 1.3 Firefly – R$ R$ 79.990
  • Volkswagen Nivus Comfortline: R$ 85.890
  • Volkswagen Nivus Highline: R$ 98.290
Volkswagen Nivus

Volkswagen Nivus beira R$ 100.000 na sua versão mais completa

Sim, além da carga altíssima de impostos (leia mais sobre isso no final do post), os valores dos automóveis no Brasil está cada vez mais alto mesmo com a redução do poder aquisitivo da maioria esmagadoras dos clientes.

Com o apoio de um estudo da KBB Brasil, montei esse post e o vídeo tentando explicar o que está acontecendo.

Motivos para o carro novo ter subido de preço

1. Dólar

O dólar ainda é a principal atribuição de responsabilidade sobre o acréscimo de preços de carros 0 km, apontada, principalmente, pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Houve valorização de cerca de R$ 1,60 na cotação do dólar entre dezembro de 2019 e abril de 2020, o que afeta diretamente os custos de produção, uma vez que nenhum carro é 100% nacional. Vários componentes são importados, como câmbio automático e parte eletrônica.

  • 27/12/2019: R$ 4,05
  • 27/04/2020: R$ 5,63
  • 30/06/2020: R$ 5,47

2. Reestruturação das fábricas

Por causa da pandemia, um custo extra foi gerado para a reestruturação das fábricas, adequando às linhas de produção e outros setores a uma nova realidade de capacidade produtiva, segurança e higiene.

Os funcionários tem novas rotinas, como no transporte, distanciamento físico no posto de trabalho, refeitórios, entre outros pontos.

Dianteira do Hyundai HB20 e do HB20S Vision 2021

Apenas a linha Hyundai HB20 e do HB20S 1.0 aspirado tem modelos 2021

3. Novo estoque com carros novos

O estoque de carros 2019/2019 e 2019/2020 (ano/modelo) praticamente chegou ao fim, o que abre espaço para a chegada dos veículos 2020/2020 e 2020/2021 – o que sempre acarreta aumento de preços.

Some a esse aumento “natural” de um novo modelo os valores vindos do dólar e da reestruturação das fábricas, temos uma elevação ainda mais alta.

Visual da traseira do Volkswagen Nivus Highline

Volkswagen Nivus Highline

4. Rentabilidade e lucro

A rentabilidade por unidade vendida, em um mercado cujo ganho em escala, é fortemente reduzido pela queda na demanda. Em outras palavras, as montadoras deixam seus carros mais “baratos” na estratégia de vender um volume mais alto de unidades para conseguir lucrar.

Como o volume está baixo, ela se vê obrigada a aumentar o preço unitário do veículo para aumentar a sua margem de lucro.

Fiat Strada Volcano 2021

Fiat Strada Volcano 2021 cabine dupla

Dilema do mercado

A partir de todos esses argumentos, e levando em consideração que a pandemia afetou o bolso da imensa maioria dos brasileiros, as montadoras chegaram num dilema sobre suas estratégias durante e após esse momento de Covid-19:

  1. Investir em carros de entrada e (em tese) mais baratos, mas que têm menor margem de lucro (e que costumam ter menos descontos), para atrair um número maior de consumidores (que estão sem dinheiro);
  2. Investir em carros mais caros, que têm margem de lucro maior (e que permite mais descontos).
Hyundai HB20 Sense 2021

Hyundai HB20 Sense 2021

Exemplo da Hyundai

A Hyundai, por exemplo, só lançou a linha 2021 das versões mais em conta do HB20, HB20S (ambos 1.0 aspirado) e do Creta 1.6. Ou seja, vai seguir com a estratégia 1 acima.

O presidente da FCA para a América Latina, Antônio Filosa, deu a entender, numa live para o jornal O Tempo, que a empresa seguirá pelo mesmo caminho da concorrente coreana.

Os velhos conhecidos

É notório que os preços dos carros no Brasil tem outros “vilões”.

  • Talvez o principal deles seja a absurda carga de impostos que pagamos no Brasil, algo que acontece há décadas e que o governo federal atual, mesmo prometendo em campanha, infelizmente, ainda não fez e não deverá fazer nada a respeito. E acrescentamos a eles os encargos estaduais, que também não melhoraram nos últimos tempos. Logo, somados, para automóveis, os impostos representam cerca de 42% do preço (nos EUA ele é inferior a 10% nos EUA e 14% na Europa)!
  • O governo se “defende” dizendo que um vilão importante é a margem de lucro das montadoras que, no Brasil, conforme apurado pelo o Globo, ficaria na casa de 10% (2% nos EUA e 5% no resto do Mundo).
Painel da Fiat Strada Volcano 2021

Por praticamente R$ 80.000, Fiat Strada Volcano 2021 tem painel do Mobi

Falta um projeto

Temos ainda o “custo Brasil”, muito elevado, que engloba os itens acima, mas que daria margem para uma discussão ainda mais longa.

Fato é que, mesmo com o Rota 2030, não temos um projeto federal para a indústria que realmente impulsione o setor e faça com que todos ganhem, incluindo os clientes.

Precisamos que os impostos fiquem mais baixos, que as margens sejam suficientes para a toda a cadeia envolvida (fabricantes, parceiros, fornecedores, concessionários etc.) e que nenhum trabalhador perca os seus direitos.

É preciso também renovar a frota nacional, tendo veículos mais modernos, seguros, eficientes e menos poluentes.

Painel do Volkswagen Nivus Highline

Painel do Volkswagen Nivus Highline 2021

União

Só chegaremos lá se tivermos um plano estratégico das montadoras (Anfavea) associado a um plano inteligente do governo federal. Precisamos unir forças para que todos saiam ganhando.

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Comentários (1)

  1. Produção em baixa escala , dólar valorizado, ganância das montadoras e o famoso “se cola”. Se o comprador pagar eles mantêm o preço, se não pagarem fazem uns feirões de fábrica.

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