Baita perua, Fiat Palio Weekend dá adeus ao nosso mercado depois de 23 anos

A última unidade da Fiat Palio Weekend deixou a linha de montagem no último dia 27, após 23 anos de produção na fábrica de Betim (MG). O modelo não deixará muita saudades, pois estava superado e carente de novidades. Ainda assim, essa baita perua foi uma das principais representantes do segmento na história do mercado brasileiro.

Fiat Palio Weekend 2020
Depois de 23 anos, Fiat Palio Weekend se aposenta em 2020

Representante de destaque de uma das categorias mais importantes da época de 1990, a perua não demorou muito para se tornar uma das líderes de mercado por aqui, tento, como destaques a robustez, o visual e um porta-malas bem honesto, com 460 litros. Ergonomia e, especialmente, espaço interno nunca foram os fortes do carro.

Segundo a Fiat, foram vendidas mais de 530 mil unidades na história do modelo.

Perua para SUV

Com a mudança da preferência do cliente pelos utilitários esportivos (SUVs), uma tendência mundial também verificada no Brasil, as peruas perderam esse espaço no mercado.

“A Weekend teve um papel muito importante para a Fiat, liderando o segmento durante quase toda sua trajetória comercial”, afirmou Herlander Zola, Diretor do Brand Fiat e Operações Comerciais Brasil. “Nos mantivemos sempre atentos ao que o consumidor procura, por isso entramos em uma fase acelerada de mudança na Fiat. Para atender ao desejo do cliente brasileiro, está previsto o início da produção de três novos modelos a partir de 2020. Dois deles vão colocar a nossa marca no segmento de SUVs”, concluiu o executivo.

Veja alguns pontos importantes da trajetória do modelo

1997 – Chegada

O Palio Weekend foi lançado no início de 1997 seguindo a tradição de derivar veículos de seu produto principal, neste caso, o Palio, que chegou em 1996.

Tecnicamente, a diferença estava no entre-eixos também seis centímetros mais longo, na suspensão traseira, com braços arrastados na perua, para assegurar maior conforto e comportamento superior em curvas comparado ao eixo de torção no hatch.

O veículo chegou em três versões e, já em seu quarto mês de vendas, assumiu a liderança do segmento de peruas no país.

A partir daí a Fiat promoveu inovações que acompanharam a Weekend em sua trajetória no mercado nacional:

1999 – Adventure

Lançamento da versão Adventure, que recebeu caracterização aventureira – um dos maiores acertos da história da marca. O seu sucesso foi tão grande que a linha foi estendida para Idea, Doblò e Strada e virou moda.

2001 – Design

Modelo recebeu um novo design, desenhado pelo estilista italiano Giorgetto Giugiaro.

2004 – Visual

Outra mudança (feita em pouco tempo desde a anterior), que alterava principalmente a traseira, também promovida por Giorgetto Giugiaro, com amplas lanternas.

2008 – Reestilização Locker

Com a reestilização da station, a versão Adventure incorpora o Locker, um componente inédito no mundo: a Fiat foi a primeira fabricante de automóveis a lançar um veículo de tração dianteira 4×2 com bloqueio eletrônico de diferencial.

Para aumentar a capacidade de tração, o recurso possibilita superar condições um pouco mais adversas de terreno com mais desenvoltura.

Sistema não fez tanto sucesso e foi descontinuado alguns anos depois.

2008 – Elétrico

A Fiat apresentou o Palio Weekend Elétrico, desenvolvido em parceria com a hidrelétrica Itaipu Binacional. O motor tinha potência de 15 Kw (20 cv) e torque de 50 Nm (5,1 Kgmf). Alimentado por uma bateria de níquel, situada no fundo do porta-malas, garantia autonomia de 120 Km.

2012 – Outra reestilização

O modelo teve sua última modificação de estilo no ano de 2012.

2015 – “Novo” nome

Em 2014, na linha 2015, station passou a ser identificada apenas pelo nome Weekend;

Motores e consumo

Durante os seus últimos anos de vida, a perua foi ofertada com três opções de motor:

  • 1.4 8V Fire Flex: em linha até hoje, desenvolve os mesmos (e poucos) 85 cv de potência e 12,4 kgfm de torque com gasolina e 86 cv e 12,5 kgfm com etanol.
  • 1.6 16V E.TorQ: aposentado, gerava 115 cv e 16,2 kgfm com gasolina e 117 cv e 16,8 kgfm com etanol.
  • 1.8 16V E.TorQ: sem nunca ter recebido a atualização de outros modelos (como Toro e o primo Jeep Renegade), desenvolve 130 cv e 18,4 kgfm com o combustível fóssil e 132 cv e 18,9 kgfm com o derivado da cana-de-açúcar.
 CombustívelEtanolGasolina
 CircuitoCidadeEstradaCidadeEstrada
Fiat Weekend Attractive 1.47,1 km/l8,3 km/l10,3 km/l12,1 km/l
Fiat Weekend Trekking 1.66,8 km/l7,7 km/l9,9 km/l11,2 km/l
Fiat Weekend Adventure 1.86,9 km/l7,9 km/l9,8 km/l11,3 km/l
Fiat Weekend Adventure 1.8 Dualogic7,0 km/l8,1 km/l10,2 km/l11,7 km/l

Dimensões

Com a distância entre-eixos de 2,466 m, o Fiat Weekend, na sua aposentadoria (mantendo a versão Trekking), mede 4,251 m de comprimento (Adventure: 4,310 m), 1,639 m de largura (Trekking: 1,659 m e Adventure: 1,721 m), 1,515 m de altura (Trekking: 1,587 m e Adventure: 1,643 m) e 13,5 cm de distância livre do solo (Trekking: 17 cm e Adventure: 19 cm). O tanque tem capacidade para 51 litros.

Erros marcantes

Durante os seus 23 anos de mercado, o Palio Weekend sofreu com algumas apostas que não deram certo. O câmbio manual automatizado Dualogic, por exemplo, nunca foi um sucesso.

Outro item que considero um fracasso é o motor 1.0 16V, que equipou o veículo no início dos anos 2000. Com desempenho ruim, o propulsor foi fonte de muitas reclamações.

Mas talvez o problema mais marcante da perua foi a sua versão 1.0 (61 cv) com câmbio manual de seis marchas. A dupla não se entrosou e faltou harmonia com a carroceria, tornando a versão um fracasso.

Baita perua

Ainda assim, os pontos positivos do Palio Weekend foram muito mais números e marcantes na sua história. Robusto e bonito (com exceção de alguns momentos, com as lanternas panetone), a perua fará falta muito pelo seu peso na história;

Com a despedida do veículo, o mercado brasileiro deixa de ter a última station wagon do segmento. Uma pena…

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Comentários

  • Gustavo disse:

    Essa perua foi uma pré origem dos SUVs de hoje. Quando lançaram a versão Adventure todas as outras montadoras cópiaram. Na época vi isso até em marcas que não eram presentes no Brasil. Essa perua deixou seu legado. Todos que tinham sitios nas proximidades de BH possuíam uma.

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