Será que o mercado brasileiro de automóveis terá boa recuperação em 2022?

concessionária Carbel Japão
Mercado brasileiro de automóveis deve ser melhor em 2022

Será que o mercado brasileiro de automóveis terá boa recuperação em 2022?

O balanço final de vendas no mercado interno de veículos leves e pesados, em 2021, de fato não foi para comemorar. Os números revelados pela Anfavea na última sexta-feira indicaram a comercialização de 2,120 milhões de unidades. Um avanço tímido de 3%, em relação a 2020. No começo do ano passado, a previsão era de crescer 15%.

A crise na oferta de semicondutores, as dificuldades de logística e outros efeitos da pandemia de Covid-19 desorganizaram as cadeias de produção em todo o mundo. Só no Brasil estima-se que 300.000 veículos deixaram de ser fabricados em 2021.

Pressão

Panorama geral continua pressionado para a indústria automobilística. No mundo, 10 milhões de unidades a menos em 2021. Segundo a consultoria internacional BCG, só em 2025 a produção mundial voltará ao patamar de 2017: 95 milhões de unidades de veículos leves. Cerca de 100 milhões, incluindo caminhões e ônibus.

Real x Dólar

Entretanto, o País conseguiu desempenho razoável no ano passado com produção de 2,248 milhões de unidades (mais 11,6%) e exportação de 376 mil unidades (mais 16%). A desvalorização do real frente ao dólar melhorou a competitividade no exterior, além de aumentar a rentabilidade das vendas externas frente às internas. A expansão das exportações ocorreu mesmo com a crise econômica no principal cliente da indústria brasileira, a Argentina, que dificultou as importações por falta de divisas.

Estoques

Estoques no último mês do ano passado continuaram baixos: 16 dias somando-se pátios de concessionárias e fabricantes. Em tempos normais variam de 35 a 40 dias. Isso explica a dificuldade de encontrar modelos para pronta-entrega. No mercado dos EUA, por exemplo, que tem perfil de demanda semelhante ao do Brasil, os estoques normais eram de até 80 dias e agora apenas 25 dias.

Em razão da produção menor que a demanda as filas de espera para adquirir um modelo novo, em especial os lançamentos, chegaram em média a 90 dias no ano passado. Para alguns modelos e versões, prazo de entrega ainda mais dilatado.

Usados

Este cenário resultou em maior procura por produtos seminovos e usados. O volume comercializado atingiu 11,675 milhões de veículos leves e pesados em 2021. Somando motocicletas e implementos rodoviários foram 15,134 milhões de unidades. De acordo com José Maurício Andreta Jr., que acaba de assumir a presidência da Fenabrave, trata-se do maior resultado já alcançado desde que a entidade começou, em 2004, a avaliar o mercado de usados por meio de transações nas concessionárias, lojistas do setor e entre proprietários de veículos. Fonte é o Renavam.

Previsões para 2022

Quanto às vendas previstas para o mercado brasileiro de automóveis em 2022, sabe-se que vão crescer. O Brasil está aquém dos resultados alcançados em 2019, ano de pré-pandemia (quase 2,8 milhões de unidades leves e pesadas). E muito distante do recorde de 3,8 milhões de unidades de 2012, quando havia incentivo de IPI reduzido e crescimento econômico não sustentável.

A Fenabrave espera aumento de 4,6% nas vendas em 2022, mesmo com incertezas sobre o cenário econômico e político do País. Este é o piso das projeções. A Anfavea tem expectativas mais otimistas: 8,5% de crescimento nas vendas (veículos leves e pesados, nacionais e importados, 2,3 milhões de unidades), 9,4% na produção (2,46 milhões) e 3,6% nas exportações (390 mil).

Sondei três consultorias nacionais: ADK (+ 9,6%), Bright (+ 11,6%) e LMC/Carcon (+ 11,5%). Minha previsão: mercado cresce 10,5%.

ALTA RODA

Foto do novo C3 da Citroën
Novo C3 da Citroën

NOVO Citroën C3 que estreia no Brasil em fevereiro próximo está sendo exibido sem disfarces externos no balneário argentino Cariló, a 360 km de Buenos Aires. Interior, no entanto, continua escondido. Lá a marca francesa o descreve como misto de SUV e hatch, tipicamente um crossover. Virá com os motores de aspiração natural Firefly de origem Fiat, de 1.0 (três cilindros) e 1.3 (quatro cilindros). É a primeira integração mecânica da Stellantis no Brasil. Já as versões turbo destes motores, conhecido aqui como GSE, ficarão reservados inicialmente para o Peugeot 208, no segundo semestre deste ano.

ASSOCIAÇÃO Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) persiste em forçar a mão nas suas estatísticas de vendas. Os números divulgados sobre 2021 continuam a incluir modelos híbridos como se fossem elétricos com o subterfúgio de “eletrificados”. Comercialização de modelos verdadeiramente elétricos cresceu de 801 unidades em 2020 para 2.860 em 2021. Um percentual vistoso de 255%. Porém, representam apenas 1,8% do tal mercado de “eletrificados”. E simbólico 0,1% do que se vendeu no ano passado de automóveis e comerciais leves.

PARA comemorar 125 anos de circulação da publicação automobilística regular mais antiga do mundo, a inglesa Autocar digitalizou todo seu acervo. Ao todo mais de 6.000 edições e 1,1 milhão de páginas. O primeiro número da revista semanal circulou em 2 de novembro de 1895, quando havia apenas seis carros em circulação no Reino Unido. O site www.themotoringarchive.com pode ser acessado ao custo mensal de 7,99 libras (cerca R$ 60,00). Há degustação gratuita por 14 dias para quem quiser conhecer.

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