Ford quer dominar o segmento de compactos premium com o New Fiesta 2014 nacional. Vai conseguir?

É… parece que a “brincadeira” acabou. Finalmente, depois de uma longa e estranha espera, a Ford tomou a decisão correta e está (re)lançando o New Fiesta, agora produzido no Brasil, com preços competitivos de verdade (chega do absurdo anterior!). O desejo da marca é tornar o seu modelo a escolha definitiva do segmento de compactos premium no Brasil, que tem Fiat Punto e Volkswagen Polo como opções interessantes (mas carentes de novidades), o Chevrolet Sonic hatch como um coadjuvante, e a dupla de franceses Citroën C3 e Peugeot 208 como novas atrações (que poderiam custar menos). Será que a Ford vai conseguir?

Vou responder de uma vez: a Ford tem tudo para conseguir a liderança neste segmento e, por consequência, melhorar as suas vendas no país. A versão inicial do New Fiesta hatch é tão equipada quanto os concorrentes citados, mas é mais barata (a partir de R$ 38.990) e potente do que os adversários de entrada (1.4, 1.5 e até 1.6 – da VW).

Conheça mais sobre os principais concorrentes do Ford New Fiesta!

Enorme grade dianteira é a principal alteração visual da linha 2014 do Ford New Fiesta

O New Fiesta tupiniquim mede 3,969 m de comprimento, 1,464 m de altura, e tem 2,489 m de distância entre-eixos. Seu espaço interno continua ruim, assim como a capacidade do porta-malas: limitados 281 litros. Por fora, o modelo adora a nova linha de design da Ford, a Kinetic 2.0, já aplicada nos novos Fusion e EcoSport. A ampla grade dianteira é o principal destaque e caiu muito bem ao compacto, que ficou com aspecto mais robusto e esportivo.

Motores Sigma
Mas a mudança visual não é novidade para ninguém, já que o carro foi exibido no Salão do Automóvel de São Paulo em 2012 com o mesmo design. Por isso, vamos logo para os motores Sigma.

Depois de me decepcionar quando foi lançado, finalmente o propulsor 1.6 16V mostrar os números de potência que sempre esperávamos dele: 125 cv com gasolina e 130 cv com etanol – ambos alcançados a 6.500 rpm (o anterior gerava 109 cv a 6.250 rpm e 115 cv a 5.500 rpm). Entretanto, o torque ficou igual com gasolina (15,4 mkgf a 4.250 rpm) e inferior com etanol: 16 mkgf a 5.000 rpm, contra 16,3 mkgf a 4.250 rpm da versão anterior. O sacrifício deve ter acontecido para privilegiar as melhorias de potência, consumo e emissões.

As mudanças técnicas da motorização foram, nas palavras da Ford: “O motor Sigma 1.6 TiVCT Flex do New Fiesta traz várias inovações que contribuem para o seu nível superior de eficiência e economia. Além do duplo comando de válvulas variável e independente, que funciona tanto na admissão como na exaustão, ele utiliza uma taxa de compressão de 12:1 otimizada para a eficiência e performance. Tem ainda pistões grafitados, tuchos polidos, óleo de baixa viscosidade e novos componentes que reduzem o consumo de energia.”

Linhas são realmente bonitas

Segundo a Ford, o New Fiesta 1.6 16V nacional manual precisa de 12,1 s com etanol e 12,3 s com gasolina para ser acelerado de 0 a 100 km/h com etanol e atinge a velocidade máxima de 190 km/h – mesmos números alcançados pelas versão PowerShift de duas embreagens (veja mais detalhes abaixo). No consumo, conta com a classificação A de eficiência do INMETRO/CONPET: faz 8 km/l com etanol e 12 km/l com gasolina na cidade e 10 km/l com etanol e 14,3 km/l com gasolina na estrada, com câmbio manual. Números otimistas, especialmente na cidade.

No consumo, a versão 1.6 16V PowerShift faz 7,9 km/l com etanol e 11,4 km/l com gasolina na cidade e 9,9 km/l com etanol e 13,9 km/l com gasolina na estrada.

Além do motor 1.6 16V mais potente, a Ford está lançando no mercado nacional mais um integrante da família Sigma, o propulsor 1.5 DOHC 16V flex, que desenvolve  107 cv de potência (a 6.500 rpm) e 14,7 mkgf de torque com gasolina e 111 cv (5.500 rpm) e 14,9 mkgf com etanol – torques alcançados a 4.250 rpm.

Espaço interno é ruim, mas ergonomia é boa

De acordo com a Ford, o New Fiesta 1.5 16V brasileiro precisa de 12,2 s com etanol e 12,7 s com gasolina para ser acelerado de 0 a 100 km/h com etanol e atinge a velocidade máxima de 180 km/h. No consumo, a marca norte-americana afirma que o modelo faz 7,8 km/l com etanol e 10,8 km/l com gasolina na cidade e 9,7 km/l com etanol e 13,7 km/l com gasolina na estrada, com câmbio manual. Números aparentemente mais realistas.

O New Fiesta Hatch 2014 é o primeiro veículo da marca a usar o Ford Easy Start, sistema que, por meio de sensores, aquece a linha de combustível quando necessário para a partida a frio. Essa tecnologia dispensa a necessidade do ultrapassado reservatório (tanquinho) de gasolina e está disponível em todas as versões.

Porta-malas leva míseros 281 litros – praticamente igual ao Fiat Uno e pouco mais do que o Ka

Automático? Quase! Automatizado? Sim!
O New Fiesta 1.5 está disponível apenas com transmissão manual de cinco velocidades, enquanto o 1.6 pode ser equipado com câmbio manual de cinco marchas ou manual automatizado PowerShift de seis marchas com dupla embreagem.

Esta transmissão permite ao motorista selecionar diferentes modos de condução, de acordo com o estilo do motorista: D, para trocas automáticas de marcha suaves e econômicas; S, esportivo, com um nível de rotação mais alto e preparado para retomadas; e manual sequencial SelectShift, para o condutor usar a faixa de rotação de sua preferência.

Câmbio manual automatizado PowerShift tem seis marchas e dupla embreagem

No câmbio de duas embreagens, enquanto uma marcha está engatada (2ª, por exemplo), a marcha seguinte já está pronta para entrar (3ª, seguindo o mesmo exemplo), agilizando a troca, reduzindo a perda de potência e torque, e melhorando o desempenho.

O comportamento é muito superior ao de um veículo manual automatizado comum (Dualogic, I-Motion e Easytronic).

Equipamentos e preços

Ford New Fiesta 2014 S 1.5 – R$ 38.990
Airbag duplo, freios ABS com EBD, direção elétrica, ar-condicionado, travas, espelhos e vidros dianteiros elétricos, sistema de som MyConnection Gen. 3 com conexão USB e Bluetooth; alarme volumétrico, rodas de 15 polegadas com calota integral, maçanetas e retrovisores na cor da carroceria, ajuste de altura e profundidade da coluna de direção; ajuste manual de altura do banco do motorista; desembaçador, limpador e lavador do vidro traseiro, entre outros itens.

Ford New Fiesta 2014 SE 1.5 – R$ 42.490
Acrescenta rodas de liga leve de 15 polegadas, farol de neblina e pacote de acabamento SE (?).

Ford New Fiesta 2014 SE 1.6 – R$ 45.490
Adiciona controle eletrônico de estabilidade e tração (AdvanceTrac), assistente de partida em rampa, ar-condicionado digital, vidros elétricos com abertura e fechamento global, sistema SYNC com comandos de voz em português e controles no volante e rodas de alumínio de 15 polegadas.

Ford New Fiesta 2014 SE 1.6 PowerShift – R$ 48.990
Itens da versão SE 1.6.

Ford New Fiesta 2014 Titanium 1.6 – R$ 51.490
Tem também sete airbags, bancos e volante revestidos em couro; controle automático de velocidade, sensor de estacionamento traseiro; sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, retrovisor interno eletrocrômico e rodas de alumínio de 16 polegadas.

Ford New Fiesta 2014 Titanium 1.6 PowerShift – R$ 54.900
Itens da versão Titanium 1.6.

New Fiesta nacional tem preços competitivos. Quem comprou o mexicano se deu mal

Conclusão
Depois da Ford lançar o New Fiesta por aqui por um preço absurdo, a marca muda de rumo ao nacionalizar o New Fiesta em sua linha 2014, o deixando mais bonito, barato e competitivo. O modelo tem realmente tudo para ser o líder da categoria de compactos premium, cada vez mais uma das mais disputadas do Brasil.

Mas encerro com uma reflexão. Quando eu disse estranha na primeira fase do post me referi à demora da Ford em lançar o New Fiesta nacional. O carro foi apresentado em outubro do ano passado! Logo, quem comprou o modelo importado do México, num português claro, se deu muito mal! O carro continua muito bom, mas o consumidor não só tem um carro ultrapassado em design (em relação à nova versão), mas também em desempenho e, principalmente, em negócio: imaginem a desvalorização do modelo! Mas o mercado é assim: para crescer, a Ford precisa sacrificar os milhares de proprietários do modelo mexicano – assim como outras marcas já fizeram, com a Fiat (mas em menor escala) com o Cinquecento (500) polonês que virou mexicano.

Fotos: Ford/Divulgação

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