Fiat Tempra Turbo: memórias do trovão vermelho

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Era um final de manhã de sábado. Cheguei ao ponto de encontro sozinho, à bordo de um Fiat Tempra 2.0 16V grafite. O local era uma pista aposentada usada para o pouso e decolagens de aviões – uma espécie de aeroporto particular fantasma – dentro de uma enorme fazenda no interior de Minas Gerais, cuja localização exata juramos não revelar na época, mas isso já não importa. O que valeu a pena naquele dia chegou pouco tempo depois de mim: um Tempra Turbo vermelho.

Foi um momento épico. O veículo, impecável, poderia ser “testado” pelos poucos que estavam ali, mas tomando todas as precauções e os cuidados necessários. Acabei sendo o penúltimo a guiá-lo, mas a espera valeu a pena. Pude observar, pelo lado de fora, o ronco do motor 2.0 8V turbo, com brutais (para a época) 165 cv de potência.

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As acelerações eram fortes e as curvas, feitas no final da pista, chamavam a atenção pela estabilidade. Mesmo cantando pneu, o carro segurava forte. Algumas palavras do dono do veículo também marcaram aquele dia, principalmente as que resumiam bem o comportamento do Tempra Turbo: “É um carro manso. Mas, quando chega a 3.000 giros, ele vira um trovão, um trovão vermelho”. Até hoje a fala dele soa na minha cabeça como um eco.

A partir de 3.000 rpm, o turbo de 0,8 kg/cm2 entrava em ação, entregando os 26,5 mkgf de torque. O auge acontecia a 5.250 rpm, quando o 165 cv eram liberados. De mansinho, ele virava uma fera.

Trovão domável
Chegou o meu momento. Antes de entrar no belo sedã de duas portas, observei o aerofólio traseiro, que tinha a luz do brake light integrada, e as rodas de liga-leve de aro 14”, que davam ao Tempra um visual ainda mais esportivo. Mas será que andava mesmo? Até hoje não sei por que me fiz essa pergunta, mesmo depois de observá-lo por mais de 30 minutos consecutivos pelo lado de fora. Só tinha um jeito de descobrir.

Entrei no esportivo, ajustei o banco com revestimento em couro, a altura do volante e os espelhos. Apertei o cinto de segurança e estava tudo pronto! Rodei a chave e dei uma acelerada de leve, para “sentir o monstro”.

Fiat-Tempra-Turbo

Saí do meio da pista e fui manso até o seu final, sentindo do que o carro era capaz, para evitar possíveis problemas. Fiz o retorno e já pisei fundo no acelerador. O carro deu um violento arranque, fazendo o corpo de quem estava no veículo pregar no banco. Ele foi pedindo marchas… terceira, quarta, quinta… O giro estava alto e o grave ronco do motor preenchia a cabine – uma “sinfonia” que até hoje está na minha cabeça.

Olho para o velocímetro: 190 km/h, e o carro queria mais, mas infelizmente, a pista já estava chegando ao fim.

Fiz a curva, com a velocidade já mais baixa, mas veloz o suficiente para fazer o carro começar a sair de frente. Foi uma provocação boba; nada que preocupasse. Em seguida, simulei um slalon com as (poucas e ainda visíveis) linhas centrais da pista, e pude notar que as alterações “esportivas” feitas pela Fiat na suspensão e nos amortecedores deram resultado. O carro ficou sempre “na mão”.

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Desci do “Trovão Vermelho” ainda com o corpo tomado pela adrenalina. Caminhei até os outros para acompanhar o último capítulo daquele inesquecível dia. Um belo cavalo de pau foi dado pelo dono do veículo, no centro da pista, para o delírio dos presentes.

Hoje tenho consciência de que o local não era o mais adequado para o que fizemos, como um autódromo. Porém, guiar o automóvel que foi considerado o mais rápido do Brasil por muitos anos foi uma emoção sem preço. Uma pena mesmo que a câmera digital ainda não existia no Brasil. Por causa disso, as lembranças estão apenas na memória – e que bom que pude vivê-las!

Texto que escrevi para o Jalopnik Brasil sobre uma das experiências automobilíticas mais legais que já vivenciei.

Fotos: Fiat/Divulgação

Comentários (2)

  1. Que bacana a reportagem, carro apaixonante eu tenho um tempra turbo 1995, completaco anda demais,,so quem teve um sabe que carro maravilhoso … nada a reclamar ate hj amigos, colegas conhecidos .. ficam admirando este carro que em minha cidade so tem o meu hehehhe…

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