Um abraço ao querido, complexo e simples amigo Honda Civic LXL

Honda-Civic-LXL-2011Quando uma pessoa querida nos deixa, a sensação de vazio é sempre estranha e ruim. O que dizer então de um grande amigo, daqueles que sempre esteve lá por você, nos momentos alegres e tristes, na tensão e no lazer, sempre te apoiando? O peito realmente aperta. Essa é quase a sensação que estou sentindo ao me desfazer do meu carro. Com uma complexa simplicidade, ele vai alegrar a vida de uma outra família agora. Um abraço ao querido amigo Honda Civic LXL.

Por que o Civic? E a negociação?

Decidi trocar o meu Chevrolet Astra Elegance por carro mais seguro, já que o meu hatch médio não tinha freio a disco nas quatro rodas, nem ABS (tinha apenas airbag duplo). Queria também mais conforto e, pela primeira vez na vida, um carro automático. Fiquei na dúvida entre três carros (para quem não se lembra, “brinquei” com a minha dúvida nesse link): um Vectra GT (ou GT-X) 2.0, que foi o primeiro a ser descartado; um Ford Focus GLX 2.0, que as concessionárias da marca absurdamente insistiram em não me vender; e um Honda Civic LXL 1.8, que era o mais caro da turma.

Na impossibilidade de comprar o Focus, parti em busca de um Civic que coubesse no meu orçamento. Mas eu não queria a versão de entrada, LXS, que deixava a desejar em termos de equipamentos. Foquei então na intermediária, LXL, que tinha paddle shift (algo que me agrada muito), pois a topo de linha, EXS, era caríssima (e continua sendo hoje, mas como EXR). O preço sugerido para o Civic LXL, na época, era R$ 72.165 – impossível para mim.

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Tentei um contato direto com a Honda para comprar o Civic, mas a marca não me deu muita atenção, enquanto a assessoria de imprensa da empresa, na época, não moveu um músculo para me ajudar. Desisti da compra direta e parti então para as concessionárias.

Consegui vender o meu Astra por R$ 35.000 e eu tinha mais R$ 15.000 guardados para investir no veículo – ou seja, R$ 50.000 para um sedã de R$ 72.165 exigiria um financiamento que eu não queria fazer. Comecei a pesquisar então preços em lojas de Belo Horizonte, como a Auto Japan, a Supertec (não existe mais) e a Banzai, e São Paulo, como a Daitan, a H Point, Dealer, Flora e a SP Japan (além da Hville, em Barueri), e verifiquei que, na linha 2010/2011, o Civic LXL estava com descontos que faziam o seu preço ficar na casa de R$ 66.000 (isso por causa da chegada da linha 2011/2011).

Ainda assim, eu não estava tão animado com o financiamento. Resolvi então negociar com as concessionárias. Cheguei a conseguir abaixar o preço para R$ 64.500 numa revenda, depois R$ 63.000 em outra. Foi então que vi um anúncio de um Civic LXL 2010/2011 0 km por R$ 61.900. Fui até a concessionária para ver e o valor era aquele mesmo. Depois de negociar, fechei a compra por R$ 60.900 – preço que me animou, pois consegui um financiamento de 12 meses para o restante do valor, com taxa 0%.

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O carro e seus equipamentos

Logo que sai da concessionária, abasteci o tanque com gasolina comum e o tanquinho auxiliar de partida a frio com gasolina Podium, embora o frentista, de maneira equivocada, tenha garantido que, no tanquinho, gasolina comum era mais indicada.

Em seguida, peguei um trecho de estrada onde pude comprovar, pela primeira vez com o meu carro, a consagrada e excelente estabilidade do Civic, graças ao acerto mais firme das molas e à suspensão independente na dianteira e na traseira.

Meu Honda Civic LXL veio equipado, de série, com direção elétrica, ar-condicionado, trio elétrico, alarme, freios ABS, airbag duplo, banco traseiro bipartido, ajuste de altura e profundidade do volante, comandos de rádio e do cruise control no volante, rádio AM/FM com CD Player que lê arquivos em MP3/WMA (via CD), rodas de liga leve de 16″, ajuste de altura do banco do motorista, cinto de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes, entre outros. Como acessórios, coloquei sensor de estacionamento, protetor de cárter, porca de segurança nas quatro rodas, trava do estepe no porta-malas, película anti-vandalismo e, por último, película no parta-brisa para conforto térmico (escolhi a mais clara de todas).

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Cinto de três pontos e apoios de cabeça para todos os ocupantes

Para um veículo com preço sugerido de R$ 72.165 na época (final de 2010), era um absurdo (e continua sendo até hoje), em qualquer versão (do Civic, no caso), não ter faróis de neblina, computador de bordo, conexão bluetooth para celular, entrada USB, sensor de estacionamento, e, até mesmo, um termômetro para a temperatura externa como itens de série. Esse, sem dúvida, foi o primeiro ponto que me incomodou no veículo – mas que a Honda corrigiu para o Civic atual.

Desempenho e espaço

Outro ponto que me incomodou um pouco foi o desempenho do motor 1.8 16V. Com 138 cv de potência e 17,5 kgfm de torque com gasolina e 140 cv e 17,7 kgfm com etanol, ele até anda bem, sendo ótimo para o dia a dia na cidade e numa estrada que não exija demais. Mas, na hora de ultrapassar (especialmente com o carro carregado e com o ar-condicionado ligado), precisar recorrer a uma segunda marcha, em alguns momentos, me incomodava demais. Acho que fiquei acostumado com o propulsor 2.0 8V Flexpower do Astra, que entregava mais torque com rotação mais baixa. Verdade ou não, a Honda lançou o Civic 2.0, que tem o desempenho que considero ideal para o modelo.

Falando em consumo, meu Civic LXL foi uma decepção. Mesmo com motor de Monza, o meu Astra bebeu menos do que o Civic. Tudo bem que o meu Honda era automático (de cinco marchas), e o Chevrolet, manual (de cinco velocidades). Mesmo assim, sempre ouvi que o “motor Honda é moderno”, “bebe pouco”, ainda mais depois que o meu Civic veio com direção elétrica e o novo ar-condicionado que, em teoria, deveriam melhorar o consumo.

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Rodas de 16″: pneus Michelin foram superiores aos Goodyear

A média ficava na casa de 5,6 km/l com etanol e 7,4 km/l com gasolina – em Belo Horizonte, cidade que não ajuda muito por causa da sua topografia, rodando 60% do tempo sozinho e com o ar-condicionado ligado, no modo Sport (fazendo as trocas pelo paddle shift). No Drive, o “automático tradicional”, média era de 5,1 km/l com etanol e 7 km/l com gasolina (bebeu mais porque, apenas no modo manual, eu conseguia usar as várias dicas para o carro beber menos combustível).

Até considerei os números aceitáveis na cidade. Mas, na estrada, fiquei muito decepcionado: média de 9 km/l com etanol e 11,5 km/l com gasolina – rodando sempre com o ar-condicionado ligado e com velocidades variando entre 80 km/h e 110 km/h. Jamais consegui, por exemplo, ir de Belo Horizonte a São Paulo com apenas um tanque de gasolina, como fiz várias vezes com o Astra. A autonomia também foi prejudicada pelo volume do tanque de combustível do Civic: 50 litros de capacidade (também corrigido no atual, que leva 57 l). 

Se o consumo não me agradou tanto, a estabilidade, o espaço interno e a posição de dirigir foram excepcionais. Durante todo o período em que fiquei com o carro, sempre o elogiei na estrada pela estabilidade – realmente excelente! E, com a facilidade de achar uma posição para guiar, graças ao ajustes de altura do banco e de altura e profundidade do volante (só faltou mesmo ajuste milimétrico do banco), curtir a estabilidade era diversão garantida. Já o espaço era bom para cinco pessoas, menos quando quem se sentava no banco traseiro era alto demais (batia a cabeça no teto).

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Depois que me adaptei ao uso dos paddle shifts, não consegui mais dirigir sem eles. O carro respondia bem o tempo todo, possibilitando que eu pudesse manter o veículo com o comportamento que eu quisesse, além, é claro, de poupar combustível, como expliquei acima. Os paddles shifts representam bem o que era o meu Civic: simples, sem nenhum equipamento especial, ou tela diferente, ou sistemas “mirabolantes” (como Locker ou Overbooster, da Fiat), e complexo, com trocas de marcha atrás do volante, suspensão independente, mecânica avançada e acessível. etc..

O porta-malas, bastante criticado pelos 340 litros de volume, me atendeu bem. Mas, para um sedã médio, deveria ser maior, como é hoje, com 449 litros – mais um erro corrigido pela Honda.

Fechadura e atendimento das concessionárias

Além das questões que comentei anteriormente, que a Honda corrigiu com a mudança de geração, algumas coisas me incomodaram no meu Civic. O defeito na fechadura do porta-malas, que permitia que bandidos arrombassem a tampa para roubar o conteúdo do porta-malas, incluindo o estepe, foi algo que me preocupou muito. A Honda, inclusive, se posicionou sobre isso.

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Fiquei tão preocupado que fiz uma pesquisa de possibilidades e preços sobre os acessórios de segurança do Civic e acabei optando pela trava do estepe. Depois acabei desconectando a trava elétrica do carro do bocal da fechadura do porta-malas, evitando que a peça fosse quebrada e/ou arrombada. Não satisfeito, mandei selar a fechadura com uma chapa de aço, o que me deixou mais tranquilo e, quase que definitivamente, acabou com esse fatídico problema do Civic que, segundo a Honda, foi eliminado, de vez, na linha 2011/2011.

Também me incomodou, por cerca de 12 meses, um barulho que vinha do lado direito do painel. Levei o carro na concessionária Auto Japan Bandeirantes, em Belo Horizonte, por três vezes. O problema não foi resolvido. Além disso, o serviço de pós-venda dessa revenda me decepcionou muito pela falta de confiança na equipe – realmente não recomendo. Foi então que levei o Civic na Auto Japan da Av. Raja Gabaglia, também na capital mineira, onde fui muito bem recebido pelo gerente de serviços, Cirilo Júnior que, junto com o seu time, descobriu que o suporte do lado direito do motor 1.8 do meu sedã estava solto. Trocaram a peça, mesmo fora da garantia, sem me cobrar nada e tudo foi resolvido.

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Mais um aspecto negativo que chamou a minha atenção foi o ruído que vinha do teto quando o carro estava rodando debaixo de chuva forte. Era necessário gritar com outra pessoa do banco da frente para conversar e praticamente impossível ter qualquer tipo de conversação com os passageiros do banco traseiro. Ninguém, de nenhuma das concessionárias Honda consultadas, ouviu dizer desse problema, embora tenham colocado a “culpa” na espessura e vedação do teto. Conversei com outros dois proprietários do Civic, um 2011/2011 e outro 2008/2009, e ambos reclamaram dessa questão também.

Um desses donos me deu uma dica valiosa para resolver o último ponto que me incomodava do meu sedã LXL automático: o barulho de rolagem. Ao trocar os pneus Goodyear por Michelin, mantendo exatamente as mesmas especificações do manual, a situação melhorou, trazendo mais conforto acústico para os ocupantes.

Por que vender?

Embora com alguns problemas, você deve se perguntar: por que vender um carro que você gostou tanto (que considero o melhor carro que já tive)? Simples: eu me casei e a minha esposa não se adaptou ao Civic. Além disso, nesse momento, não temos a necessidade de ter dois carros em casa. Logo, partimos para a busca de um carro menor em relação a um sedã médio, mas que tivesse um espaço interno que me coubesse. A escolha já aconteceu e estou satisfeito (até agora).

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Honda Civic: o X da questão aqui no post. Adeus ao meu grande amigo!

Resumo da obra

Enquanto eu não comprar um outro carro do mesmo nível ou melhor do que o meu Honda Civic 1.8, irei sentir falta dele todos os dias. A partir de agora, ele é a minha referência para praticamente tudo relacionado à comportamento dinâmico, em especial, estabilidade – já até usei a experiência adquirida no teste do Nissan Sentra. Ele era confortável, bonito, gostoso de dirigir e de uma confiabilidade que eu só tinha visto até hoje nos Fits que os meus familiares têm. Realmente o Civic é um carro que te deixa tranquilo (salvo algumas exceções).

Do seu jeito, com uma complexa simplicidade, o Civic foi um carro que me conquistou e que, desde o dia dua sua partida, manterei o desejo de ter outro exemplar na minha garagem. Um abraço ao meu querido amigo Honda Civic LXL.

Comentários (5)

  1. e ai parizzi q carro vc comprou? ,sou eu o JCCG.

    ano q vem vou trocar de carro tmb comprei um punto attractive 13/14 um dia depois do meu aniversario em 2013, vou comprar outro carro maior e mais caro “entre 50mil e 52mil” ano q vem mais pro final do 1° semestre… to de olho no novo hb20s q foi lançado hj e no futuro prisma reestilizado q sera lançado em março

  2. O texto representa toda a imagem que a Honda passa para aqueles que não possuem veículos dessa marca. Sempre tive interesse em ter um Honda. Porém, como necessitava de um carro para estradas de terra (as vezes) não era possível ter um devido a altura dos veículos em relação ao solo. O CRV que poderia ser a opção não me agradaria no dia a dia pelo tamanho. Agora vejo a oportunidade de ter um Honda, neste caso o HR-V ou quem sabe um “FIt Aventureiro” que está sendo especulado. Porém vou aguardar um pouco mais e esperar o ano que vem. Com o motor 1.5 turbo no novo Civic é bem provável que este substitua o motor 1.8 utilizado no HR-V. E aí Renato não precisa dizer qual carro você comprou, mas pelo menos nos diga , se manteve fiel a marca?

  3. e to aqui nessa internet para ver qual carro comprar,mas acho q aqui nao tenho nenhuma indicaçao,nenhuma carro presta e todos sao mesmo muito ruins,nao posso ir nos estado unidos comprar la,aqui voce pesquisa e a turm aqui e so falar dos carros ,nao vi nenhuma indicaçao q me desse uma segurança,uma dica .Afinal carros sao todos iguais ne ,todoas correm,eu to sem saber o q fazer,pois aqui nao tive nada q indicasse tal compra desse ou daquele.quero um carro sedan nao muto caro.

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